Naquela tarde fria de domingo os pãezinhos chegaram quentes na cesta de vime. Vieram acompanhados de dois potes coloridos e cheios de gostosuras! Os olhos fixaram-se no alimento! Depois de saciada em parte a gula, o olhar percorreu a vizinhança! Que surpresa! Ali ao lado o pequenino pé de cerejeira exibia o final da floração. Fiquei dividido! Continuaria a comilança? Ou deixaria a mesa para registrar aquela beleza, tamanha exuberância! Encontrei a resposta! Sim, ainda há esperança!
Mais uma vez saio à rua em busca do homem em movimento! É a busca frenética pelo ganha-pão que o leva a se mexer a todo momento! Vai a pé, de bicicleta, de transporte coletivo, sozinho, o que vale é seu esforço a percorrer o caminho! No percurso há paisagens deslumbrantes que não raro passam despercebidas pelo trabalhador! Seria a causa a pressa, a angústia, a dor? O fotógrafo é testemunha dessa correria desenfreada e busca o melhor ângulo para fazer o registro e ainda com tremor! Quer posar de pintor! Quanta pretensão! Na verdade, em regra pouco sabe dessa nobre arte e nada mais faz do que mexer a mão. E dedo indicador firme no botão, tudo na maior agitação! Viva!!!



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